sexta-feira, 26 de outubro de 2012

ESPERA






À espera da hora propícia.

Solidão dolorosa,
solidão verdadeira,
corpo e  mente de mãos dadas,  
mas puxando em sentidos opostos.


O corpo aqui.
Mas não aqui por inteiro, porque pensa.
E, porque espera,  o ser "está" aqui, mas "é" lá.


Espera a hora, o minuto, o segundo.

No trono podre,
ad hoc,
assumido em falta de coisa melhor.

Espera a alegria vingar. 

É o bunker,
é a cripta,
torre falsa de marfim. 

Ô mentiraiada danada...
Ô solidão dos infernos! 
Ô inferno ele-mesmo!

Aqui ,
só esperando uma coisa. 


Aquela uma
que impeça a dor de doer.






foto: old lock and key (web)


4 comentários:

christiana disse...

Olha o bunker! Sincronicidades... isso é pra gente ver que não estamos sós! E um dia sairemos, ambas, de nossos abrigos, e vamos caminhar ao sol. Até lá, haja caderno... :)Beijo, querida.

manuel marques Arroz disse...

"Em esperanças se gastam vidas"

Beijo minha querida.

Bom final de semana.

Jean disse...

J'aime beaucoup la photo de la porte .
Très mystérieuse !

Nelmara Cosmo disse...

Excelente poesia,onde palavras brincam entre si e transformam-se em poética.
Se puder visite iguabagrande2013.blospot.com.br