segunda-feira, 27 de abril de 2009

UM PERFUME

















Sim, tinha um perfume

em dias assim
meio que de sol,
meio que de chuva,

ou nas manhãs de outono
tais como a de hoje.


Eu só não sei bem

se era do pão,
ou era da manteiga,

ou era do café, que tanto rescendia,
ou era da roseira,
ou era do canteiro de hortelã
e poejo...

Sim, tinha um aroma
doce e precioso
cheiro de maçã, e de chocolate
,
ou de mortadela,
na merenda boa dentro da lancheira.


Cheirinho de estojo,

e de livro novo
cheiro de aventura,

e de uniforme, branco e azul-marinho.


Sim, tínhamos respeito,

tinha o bença mãe,

tinha o bença pai,

tinha o sim senhor, tinha o sim senhora,

tinha o cobertor, e o suador, e o sonho e o medo.


Sim, havia um perfume

doce que subia,
e que vinha vindo e que tudo inundava:

cheirinho de asseio
e de sabonete feito de alfazema,

que chamava a gente, enfim, prá ver o dia.


foto: "Café"

14 comentários:

paolissimo disse...

delighted to see that you are still writing your poetry. I can read it out loud; the words fall from my mouth like gentle rain fom heaven ........ pero ....no comprendo ... no capito ..... grrrrrr .... I must learn a language. Um abrazo x

angela disse...

ah! o cheiro das lembranças, quantos cheiros o passado tem!

Ramón Minieri disse...

Me gusta tu poesía. En ella aprendo palabras de belleza y saudade "que es mucho más, que es mucho más dulce y profundo que nostalgia." Este es uno de los poemas que elijo para tenerlo muy cerca. Un abrazo. Ramón

angela disse...

eu é que agradeço a sua visita, mas sou muito crua e com certeza voce plata poesias.

Concha disse...

Os cheiros,aromas,perfumes são as referências, são as minhas saudades.
Adoro sempre passar por aqui.
Beijos

leonorcordeiro disse...

Liiiiiiinnnnnnndo !!!!
Esses aromas carregados de lembranças... Lindo!
Dalva, como é bom visitar o seu blog.
Grrrrrrrrrraaannnnde abraço!

DE-PROPOSITO disse...

Eu não sei bem
se era o pão, ou se era a manteiga,
-----------
O perfume, os perfumes, podem ser muita coisa.
Felicidades.

Leonor Cordeiro disse...

passando para deixar um abraço...

vidacuriosa disse...

De vez em quanto, no dia dia, um cheiro qualquer parece sair lá do passado para invadir o presente. Tua poesia tem o mesmo efeito: as palavras desprendem um cheiro de saudade, nos remetem a muitos anos atrás como se viajássemos no tempo.
Valeu.

Jean disse...

En utilisant le traducteur , j'ai aimé beaucoup cette poésie .
Oui , l'odeur , ( Proust et ses madeleines ) donne beaucoup d'émotions , fait revivre d'anciens souvenirs .

leonorcordeiro disse...

Querida Dalva,

Acabei de escolher o seu blog para receber o selinho “Vale a pena acompanhar este blog!”. Escolhi 15 blogs que distribuem poesia pela blogosfera.
O meu desejo é que os meus visitantes comecem a acompanhar o seu blog para serem presenteados diariamente com os seus versos.

Grande abraço!
Com carinho,

Leonor Cordeiro

CeciLia disse...

aiii, que delícia, Dal.
Quantas reminiscências nos deste de presente!
Beijos, bom findi.

Fernando Vasconcelos disse...

Excelente ! Lembra-me a minha infância também. E os cheiros é verdade transportam-nos para essas memórias.

Dri disse...

Cara Dalva,
Você passou pelo meu blog há tempos, mas somente agora, entrando de férias pude vir aqui ler você, que lindos teus versos! Virei muitas vezes!
Você já está escrevendo seu livro!
Bjos