quinta-feira, 30 de outubro de 2008

ERAM SEIS DA TARDE






















Eram seis da tarde

(como toda tarde)
o sol já se punha;
sentei na varanda
olhando o ocaso
com um livro aberto.

O pássaro preto
que mora do lado
na casa vizinha
cantava e pulava
de um puleiro ao outro
como sempre fez.

Escutando o ronco
do trânsito pesado
lá na rodovia.

Então eu pensei
na crise econômica,
na queda da bolsa,
naquelas faturas,
no financiamento,
e no desemprego.

No passar do tempo,
e sobre o fim da vida.

E esqueci dos carros,
do pássaro preto,
do meu livro aberto,
e da noite chegando...


foto: "Bird" - Dominic Wilcox

4 comentários:

Celinho disse...

Ah, ja encheu mesmo tudo isso, as vezes o entusiasmo com o Obama no mundo inteiro pode ter a ver com isso, com a sensaçao dele ser algo de novo, de diferente de todo o resto. Mesmo que nao seja, mas a esperança é sempre amiga..
Bjos

DE-PROPOSITO disse...

E esqueci
--------
Por vezes interessa esquecer, ou tentar não lembrar.
Fica bem.
E a felicidade por aí.
Manuel

Mario Poloni disse...

Sei como é... A tarde não costuma perdoar...
Mas na crise eu não penso, de falta de grana já to escolado (permanente)
Bjssssssssss

Dona Sra. Urtigão disse...

É disso que tenho medo, se o sonho chega. Se o mundo passa e apaga tudo que tem importancia.