domingo, 12 de abril de 2009

PÁSCOAS















Dos ovos ocultos no meio das flores
dum jardim oculto no meio da serra
duma serra oculta no meio do mapa
duma infância oculta no meio da vida

Da saudade imensa do que já não é
do gostinho doce de doce de leite
do ovo cozido e o bacalhau e de tudo
tudo que eu não tive, e que o mundo me deve.

foto: Vida das Coisas

3 comentários:

Dona Sra. Urtigão disse...

Uau!
Sei bem o que é isso, mas tambem estou aprendendo que não leva a nada. É necessario, indispensável, mudar o olhar. Transformar os desejos, de hoje, de ontem...

Concha disse...

Os meus maiores votos de um Feliz Domingo de Páscoa!!!
Esta poesia,é realmente notável,sensibilizou-me.
Ainda mais,com o egoísmo e egocentrismo que nós desumanamente vivemos...

CeciLia disse...

Ah, Dalva querida

Como sei o que é isso, como sei! Inventar um passado para suportar melhor o presente.

Beijo, poeta. Teu poema me emocionou. Obrigada.