sexta-feira, 26 de outubro de 2012

ESPERA






À espera da hora propícia.

Solidão dolorosa,
solidão verdadeira,
corpo e  mente de mãos dadas,  
mas puxando em sentidos opostos.


O corpo aqui.
Mas não aqui por inteiro, porque pensa.
E, porque espera,  o ser "está" aqui, mas "é" lá.


Espera a hora, o minuto, o segundo.

No trono podre,
ad hoc,
assumido em falta de coisa melhor.

Espera a alegria vingar. 

É o bunker,
é a cripta,
torre falsa de marfim. 

Ô mentiraiada danada...
Ô solidão dos infernos! 
Ô inferno ele-mesmo!

Aqui ,
só esperando uma coisa. 


Aquela uma
que impeça a dor de doer.






foto: old lock and key (web)


sábado, 28 de julho de 2012

NIRVANA





A estrada é  longa.
Você vai indo,
vai tropeçando,
e vai caindo,
aos solavancos, aos solavancos.
Cai e levanta, levanta e cai.


Um belo dia
(assim, do nada)
acha uma porta
escancarada
aos cinco sentidos.


Vem o nirvana,
o tal do enlightment, 
e você agora até aninha pássaros.


Curte silêncios,
planta gerânios,
e talvez seja o abrigo
das tempestades.

sábado, 21 de abril de 2012

PARA SEMPRE

No teu peito eu dormia,
e era um sono sem medo de nada.
No teu braço dobrado.


O futuro e o passado,
e a fome, e a sede, e o tempo adverso.
Nada tinha poder sobre mim.


No teu braço dobrado,
desfilavam os cumes dos montes.
Era tudo feliz, para sempre.


foto: Feozzy


domingo, 8 de janeiro de 2012

DESVIAJANDO




















Vem cá de novo
voltemos juntos pelas ruas do passado
alegremente desviajando pela vida

Vem cá menino
olhar as cores que brotaram encantadas
depois da chuva que caiu eternamente

Me dá a mão
vamos brincar de faz-de-conta
na areinha que  formou na enxurrada

Sejamos deuses
ou  gigantes dominando as formiguinhas
no mundinho que contém o outro mundão.



Foto: "Brincando na Chuva" - Dem

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

O COCHILO
























Tem coisa mais gostosa
que cochilar na rede branca da varanda
ouvindo a chuva gotejando no telhado,

Deixar cair no chão
o Alencar, que só se lê naquelas tardes
de preguiça e solidão,

Sentir o vento fresco
do pomar trazendo o aroma das laranjas,
de flores brancas e hastes quebradas,


E ficar horas e horas
sem fazer coisa nenhuma,
até que o céu sossegue
e que enjoe de chover?




foto: web