sábado, 6 de novembro de 2010

TOMA-LÁ-DÁ-CÁ






Ai, ai, ai,
quem me dera
enveredar de vez
numa paixão daquelas.

Que
fazem da pessoa
um exemplo ao contrário,
um molde a não seguir.

Uma paixão daquelas
que entra
e que se instala no teu subterrâneo
e manda o resto às favas.

Sem usos,
nem costumes,
sem decoro mofado,
nem as teias de aranha das vias regulares.

Ai, ai, ai,
quem me dera
um toma-lá-dá-cá
um toma-cá-dá-lá...

domingo, 24 de outubro de 2010

NO METRÔ


Faz quinze minutos
que nos encontramos
dentro do metrô.
(a vitrine móvel de tipos faceiros)

Eu não te conheço,
não sei teus espinhos
nem tuas delícias...

(caixa de surpresas, isso é o que tu és)

Tu não me conheces,
não sabes meus medos
nem as minhas fugas...

(ó porta sem chave que existe em mim).

sábado, 2 de outubro de 2010

VISITAÇÃO


Esta noite você veio.
Chegou tarde,
como sempre,
muito tarde, mas chegou.

Escutei dizer meu nome.
Docemente,
ternamente,
como só você dizia.

Resta o cheiro de romãs.
De madeira
e folhas secas,
quando você vai embora.



sábado, 25 de setembro de 2010

(DES)QUIXOTE















Mergulho no mundo sem rumo
sem remo
e sem medo

de ficar doente,
de cortar o dedo,
de perder o emprego.

Mas, um belo dia descubro
o engano,
o segredo:

era a hora errada,
era o mundo errado
e nem era pra tanto.


terça-feira, 14 de setembro de 2010

A RUSGA


Por uma coisinha de nada,
uma besteira,
um desencontro,
ficamos sem nos falar, dias e dias.


Você saiu,
foi embora,
bateu a porta ao sair, insolente.
Insolente.
(ai que ódio que eu senti!)


Eu fiquei, com meus botões...


Pensei melhor,
meditei,
amarrei o bicho-gente
que mora dentro de mim.

E vi que eu estava triste,
triste, tão triste,
que o mundo ficou assim
certo demais,
besta demais,
bem-educado demais para o meu triste paladar.