terça-feira, 14 de setembro de 2010

A RUSGA


Por uma coisinha de nada,
uma besteira,
um desencontro,
ficamos sem nos falar, dias e dias.


Você saiu,
foi embora,
bateu a porta ao sair, insolente.
Insolente.
(ai que ódio que eu senti!)


Eu fiquei, com meus botões...


Pensei melhor,
meditei,
amarrei o bicho-gente
que mora dentro de mim.

E vi que eu estava triste,
triste, tão triste,
que o mundo ficou assim
certo demais,
besta demais,
bem-educado demais para o meu triste paladar.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

O BEM MATERIAL


Porque éramos simples,
o nosso espaço
era suficiente
e  sobrava espaço.


E assim a comida,

a roupa,
a coberta,
- nada nos faltava.


A beleza pura
a lua,
o orvalho
num ramo de trigo.


Já não somos simples:
o bem material
preço,  sem valor.


foto: UOL

segunda-feira, 12 de julho de 2010

A QUEDA LIVRE
















Naquela noite
era num sábado,
(mas podia ser domingo)

Bem, naquela noite
era num sábado
e o mundo girava o seu giro

Ninguém notou,
nem escutou
o peso-morto em queda livre

Ninguém notou,
na rodovia,
era domingo: e quem havia de notar?

Foto: "Wata"

quinta-feira, 8 de julho de 2010

(IN)EXISTÊNCIA




















Ontem não era
senão o sonho de ser palavra.

Não era o susto,
nem a surpresa em botão que abre.

Ontem não era
senão a argila, a água e a força.

Não era o prato
nem a caneca feita de barro.

Na minha mesa.
No meu jardim.
Na poesia.

foto: Georgia Keefe

domingo, 27 de junho de 2010

AS MANEIRAS DA DOR


A gente já nasce sabendo
o básico,
o essencial.

Sabe o doce,
sabe o sal.

A gente enamora da rosa,
do perfume
e da cor.

Mas, só amando,
no entanto,
aprende as maneiras da dor.


foto: Gilberto Serrano blog