sábado, 17 de abril de 2010

O PODER















O poder
que emana do indicador
daquele que sabe de cor
a cura da dor de viver
Este sim,
sem a mínima sombra de dúvida,
é o tal do poder superior.
Que atravessa a couraça
do ser ou não ser,
do be e do não be,
e vai direto ao xis da questão

(este sim)
é o verdadeiro trem-bala,

é o super,
o hiper,
o mega,
é o bom!
"Eu te curo"
- ele diz -

da doença
que corrói a carne,
da praga,
que corrói o osso,

da dívida externa
e da dúvida eterna.

"Eu te curo"
- ele diz -

dos males presentes,
passados,
futuros...
Em nome do isso,
do aquilo outro
e em meu nome também.

(absolutamente amém)

sábado, 10 de abril de 2010

A MENSAGEM















Me deu um arrepio no corpo,
não é frio,
não é medo,
nem eu sei muito bem o que eu sinto.

Que o ar dessa tarde que finda,
tão calminha
e tão linda,
de repente virou ameaça.

Pode ser que talvez eu me engane,
não é nada,
não é nada,
e seja coisa da minha cabeça.

Mas, sabendo das coisas da vida,
das mudanças,
dos azares,
pode ser a mensagem temida...

segunda-feira, 5 de abril de 2010

VOLTANDO




















Voltando atrás,
bem mais atrás,
onde a memória dolorida ainda alcança

e estar sentada num degrau
olhando o mundo revirado em bois bravios

e o medo,
e o medo,
e o medo,

e o cheiro ruim-gostoso que sai da boiada,

e o corpo nu ralando a pedra
e a boca em gozo arreganhada para os astros,

eu, rodeada de mil vagalumes.





foto: Dani Torrent Ilustración

sábado, 3 de abril de 2010

ADORAÇÃO




















Eu te adoro
quando estamos em silêncio:
olho no olho, mão na mão,
alma na alma.

A conexão que existe sempre entre nós.

Existe apego
e muito mais, cumplicidade.

Não é preciso
dizer nada,
ou fazer nada,
eu reconheço cada palmo do teu corpo,
cada pinta,
cada escara.

E te adoro,
assim, do jeito que tu és.

Pois já conheço
quase todos teus pecados,

e muitos deles te ajudei a cometer.

foto: Charles Blackman

segunda-feira, 29 de março de 2010

SÓ DE VEZ EM QUANDO
















poema meu in MIRADA ANTERIOR, o blog cabeça


Só de vez em quando,

(quando muda a lua)

eu grudo a minha boca na tua orelha,


E sussurro besteiras
(obscenidades)
mio, gemo e urro feito besta-fera,

Mas, só de vez em quando,
(eu dou de mariposa)
de mulher de bandido e peço pra apanhar,


Aceito as carícias
(mais despudoradas)

como se eu fosse flor e fosse primavera.


foto: Marcelo Grassmann