segunda-feira, 29 de março de 2010

SÓ DE VEZ EM QUANDO
















poema meu in MIRADA ANTERIOR, o blog cabeça


Só de vez em quando,

(quando muda a lua)

eu grudo a minha boca na tua orelha,


E sussurro besteiras
(obscenidades)
mio, gemo e urro feito besta-fera,

Mas, só de vez em quando,
(eu dou de mariposa)
de mulher de bandido e peço pra apanhar,


Aceito as carícias
(mais despudoradas)

como se eu fosse flor e fosse primavera.


foto: Marcelo Grassmann

sábado, 6 de março de 2010

PERSPECTIVA
















Eu quero que tenhas,
(se possível for)
uma perspectiva.

E olhos para ver,
e ouvidos pra ouvir a versão do outro.

De forma sincera. Sem medo de errar.

Para olhar o mar,
andar pela praia recolhendo conchas
sem fins lucrativos, só pelo prazer.

Ver o pôr-do-sol,
e contemplar o céu em noites de verão.

E dar mais valor
nessas coisas pequenas
que nos distanciam do bicho que somos.

AS PALAVRAS, ÀS VEZES














As palavras, às vezes,
se deitam,
no meio da noite.

E fecham os olhos,
e fingem que dormem: as palavras cochilam.

Elas viram para o canto,
as palavras,
escasseiam os versos e contos e fábulas.

O mundo se aquieta por falta de verbos.

Pode ser que as palavras
se usem nos sonhos.
Tem sonhos falados e tem sonhos mudos.

As palavras,
às vezes,
se encolhem num canto escuro da noite,
e o mundo ressona em silêncio, enfadado.

foto: Rob Evans

domingo, 3 de janeiro de 2010

AMOR INFINDO





















Amar,
assim, de um amor infindo,
como se vê nos livros,
que dure para sempre
embora seja chama, ou talvez só porque seja.

Amar,
olhando só pra frente,
guardando só o que é doce
e lembrando só o que é alegre
e querendo estar junto da pessoa amada.

Amar,
escalando montanhas,
contornando obstáculos,
caindo e tropeçando,
caindo e levantando, mas sempre de mãos dadas.

Amar,
superlativamente,
sem barreira ou limite,
sem linha de chegada,
até que a morte venha, e que nos leve junto.

foto: web

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

ESPERANÇA





















Chuva insistente
escorregando
na vidraça, muita nuvem, tempo ruim.

O aeroporto
está fechado

pra quem chega e pra quem sai.

Já, pra quem fica
como eu fico,
sempre resta a esperança de voar.

foto: Quasebart