
As palavras, às vezes,
se deitam,
no meio da noite.
E fecham os olhos,
e fingem que dormem: as palavras cochilam.
Elas viram para o canto,
as palavras,
escasseiam os versos e contos e fábulas.
O mundo se aquieta por falta de verbos.
Pode ser que as palavras
se usem nos sonhos.
Tem sonhos falados e tem sonhos mudos.
As palavras,
às vezes,
se encolhem num canto escuro da noite,
e o mundo ressona em silêncio, enfadado.
foto: Rob Evans



