
Chuva insistente
escorregando
na vidraça, muita nuvem, tempo ruim.
O aeroporto
está fechado
pra quem chega e pra quem sai.
Já, pra quem fica
como eu fico,
sempre resta a esperança de voar.
foto: Quasebart




"Deixe-me ir
Preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir prá não chorar..."
(Candeia)
Lá fora,
se avizinha, feio, o temporal.
No céu negro,
a ameaça dos raios, trovões. O escambau.
Os fatos:
fim de mês, fim de ano, fim do mundo,
tantos desejos contidos,
tantos nãos...
Nessas horas,
quando tudo conspira e dá errado e oprime,
eu a vejo chegar com o socorro: tanto amor!
É o amor
transformado em arroz e feijão.
É o carinho
em roupinhas de liquidação.