terça-feira, 29 de setembro de 2009

AMORES DIVERSOS


Há amores diversos,
uns menos,
uns mais.

Amores perversos,
que ferem
e doem.

Amores tristonhos,
com uis
e com ais.

Amores que mudam,
que ficam,
que vão.

E amores fictícios:
platônicos
são.


foto: Amedeo Modigliani

terça-feira, 22 de setembro de 2009

ROTINA


















Faz tanto tempo que a gente não conversa

às altas horas
sobre as nossas ninharias, bagatelas.

Que não se beija,
que não se abraça,
faz tanto tempo que a gente não namora!

Hoje é o trabalho,
é a condução...
faz tanto tempo que a gente já nem ama!

Um, calado, mudo.
Olhando um ponto bem além dessas paredes.

O outro então...
virou de lado e agora finge que dorme.

E talvez durma.
E talvez sonhe.
E talvez tenha, em sonhos, o que não tem na vida.

foto: Helene Schjerfbeck


quarta-feira, 19 de agosto de 2009

ATÉ QUE AMANHEÇA






















Quando você chegar, de noite, nos meus sonhos,

faça-me o favor de apagar a luz.

Pise de mansinho, assim como se fosse um gato,
e apague o cigarro no cinzeiro, e deite.

Porque o travesseiro ainda tem o seu cheiro
bom de maresia, de surpresa e afago.

E porque o meu corpo, se olhar direito,
tem a cicatrizes dos nossos naufrágios.

Fique aqui comigo, abraçando o meu vulto,
e me conte as estórias de outras paragens.

Invente bobagens, se preciso, minta,
mas fique comigo até que amanheça.


foto: Christina Sealey

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

A GAIOLA





















(À Paty, amiga distante, com carinho)

Cada pessoa que passa
voando pela nossa vida
nos ensina alguma coisa
e algo também aprende.

Fica com a gente um tempinho,
então ela bate asas:
umas voltam,
outras não.

O que a gente não podia
(mas sempre acaba fazendo)
era fechar a gaiola.

Evitando que ela saia,
impedindo que ela volte,
querendo ser dono, sem ser...


foto: Claire Mojher

domingo, 26 de julho de 2009

SEM DIZER NADA























Ficamos lá,

você e eu,
eu e você,
olho no olho,
e mão na mão.

Ninguém falava, ou se movia...


O coração
acelerado

pelo amor que então havia.


Havia amor,
e havia tanto o que dizer,
que declarar -
tanta poesia!

Mas...
ficamos lá,
você e eu,

eu e você,
sem dizer nada, sem dizer nada.



foto: Gustav Vigeland