
Quando você chegar, de noite, nos meus sonhos,
faça-me o favor de apagar a luz.
Pise de mansinho, assim como se fosse um gato,
e apague o cigarro no cinzeiro, e deite.
Porque o travesseiro ainda tem o seu cheiro
bom de maresia, de surpresa e afago.
E porque o meu corpo, se olhar direito,
tem a cicatrizes dos nossos naufrágios.
Fique aqui comigo, abraçando o meu vulto,
e me conte as estórias de outras paragens.
Invente bobagens, se preciso, minta,
mas fique comigo até que amanheça.
foto: Christina Sealey



