Meu próximo amor há de ser muito intenso, mais que todos os outros, porque ele terá um não sei quê de raro, de extraordinário, de nunca antes visto,
Ele deixará todos os meus outros amores (e eles foram tantos!) numa nebulosa de inveja e de espanto.
Meu próximo amor há de trazer tristeza, de causar intriga, porque talvez nasça do fim de outro caso, ou cause um divórcio,
E acusações graves, que talvez provoquem a ira dos deuses (esses agourentos) porque, apesar de tudo, ele vai ser enorme.
Meu próximo amor será definitivo: até o fim da vida, Nem vai precisar de grandes cerimônias, nem de testemunhas, papéis em cartório; Meu próximo amor será tão evidente (ou tão eloqüente) que, subitamente, seremos amantes.
Ainda bem que a gente tem certas lembranças. Um pôr-do- sol, um arco-íris, cheiro doce de marolo pelo ar. Eventual riquezazinha miudinha que sobrou, da infância pobre do que é material. Malgrado uns contras doloridos, no fim das contas sempre restam alguns prós...