
Se queres ser universal, começa por pintar a tua aldeia. (Liev Tolstói)
Se eu pintasse a minha aldeia
do jeitinho que ela é:
terra seca, terra magra,
casinhas de pau-a-pique
com telhado de sapé.
Gado esquelético,
alheio,
roça ruim
e alienada,
infância pobre e roubada,
comendo resto de lixo...
Se eu pintasse a minha aldeia
do jeitinho que ela é:
gente magra,
gente feia,
e sem sapato no pé;
sem estudo,
sem registro,
sem dinheiro,
sem passado,
sem futuro,
sem motivo para viver...
Se eu pintasse a minha aldeia
do jeitinho que ela é,
seria de duas uma:
ou virava universal,
ou ninguém ia querer ler.
foto: "Retirantes" - Cândido Portinari



