Tem gente que diz que a poesia morreu
com virada do século,
com a era atômica
e com a informática.
Que o homem moderno está cético,
e muito mais prático,
bem mais cibernético,
bem menos romântico.
Que o poeta tornou-se anacrônico,
fora de contexto,
um ente supérfluo,
algo descartável.
Que ninguém mais gosta de ler poesia,
da linguagem poética,
dos seus badulaques,
e suas flores secas.
Algumas pessoas até foram ao velório:
vestiram de preto,
choraram um pouquinho,
(e eu estava entre elas).


