domingo, 9 de setembro de 2007

ONDE ESTAVAS?















Onde estavas, ontem à noite?
Eu não escutei o teu passo,
eu não ouvi tua voz,
- ninguém chegava!

Onde estavas, onde estavas?
Chegou a noite escura,
vieram estrelas ao céu,
- eu não te achava!

Onde estavas, meu amor?
Fazia frio,lá fora,
fazia frio aqui dentro,
- eu te chamava!


foto: Gregório Gruber

2007


sexta-feira, 7 de setembro de 2007

PODE SER INGÊNUO















Pode ser ingênuo,

pode ser piegas,
pode ser efeito do amanhecer...

Mas, a questão toda,
(em dias como hoje)
é que a alma busca algo bem maior,
algo superior,
e definitivo.

Algo que a conforte
e a faça esquecer
o seu real tamanho.

Em dias como hoje,
em que o sol batalha perfurando as nuvens,
querendo nascer;
em dias como hoje,
em que mal se ouve o canto dos pássaros,
(devem ser pardais)
ainda nos ninhos,
e que o mundo vibra sob os nossos pés.

Pode ser ingênuo,
pode ser piegas,
mas, até minha alma, que se achava incrédula,
se achava sozinha,
(em dias como hoje)
sente que pertence a um momento único
e sorri, e canta,
e faz ... poesia.

2006

foto: "Céu do Jardim Olympia" - LuizaMoony

sábado, 1 de setembro de 2007

CHEGA!



Chega de indagar sobre a razão das coisas,

chega de tentar ver o motivo oculto,
não vou mais passar minhas noites em claro,
não vou mais viver com os olhos no horizonte.

Eu quero respostas, eu quero certezas,
quero segurança, a bússola e um mapa,
pelos quais navegue, sem medo de nada
pelos mil caminhos que vêm pela frente.

Chega de esconder a minha eterna dúvida
debaixo da máscara de super-herói;
de tentar mostrar que eu me sinto o máximo
quando na verdade eu me sinto o mínimo.

2006

A COISA



Eu vejo uma coisa,
tu vês outra,
porque uma coisa é sempre mais do que ela mesma:
ela é ela
mais a relatividade da coisa.

Ela é a massa,
energia,
mais não sei quantas vezes a aceleração.


Tu olhas,

ela transmutou,
já é outra coisa.

Ver
é recriar o mundo,
é interagir com o belo,
é interagir com o feio,
é comungar com o todo, sentindo-se único.

2006

O CHEIRO DAS COISAS






















Há cheiros que evocam lembranças,

os cheiros da infância,
cheiro de lancheira,
de lápis de cor,
cheiro de maçã,
e o cheirinho bom do café da manhã.

Nada nesse mundo tem o cheiro igual:
cada coisa cheira bem,
ou cheira mal.

O cheiro, portanto, faz parte do ser
ou mesmo do não-ser.

Então, sentir o perfume rosado da rosa
é um quase que vê-la,
é um quase que tê-la.


foto: white rose

2006